As atitudes e comportamentos das meninas e raparigas, quando todas eramos crianças já era um verdadeiro quebra-cabeças.
O que acontecia era algo como isto. Estava tudo bem, num jogo ou brincadeira. De repente alguma saía e ia amuar para um canto. Se a interacção era comigo, eu ficava à espera de uma explicação (agora sei que a queria racional, de preferência) e tentava debalde compreender o que se passara já que nada me ocorria pudesse eu ter feito ou que tivesse provocado tal estado de melindre. A explicação nunca chegava nem nunca chegou. A relação lá começava mas, no meu caso, nunca mais voltaria a ser a mesma. Para mim tornava-se muito difícil confiar de novo em alguém que não se explicava nem eventualmente me deixava explicar a mim, enfim, discutir a situação.
Não passou muito tempo dei comigo a observar as outras meninas entre si. Acho que acontecia o mesmo. Mas as supostas ofendidas, a breve trecho eram abordadas pela suposta agressora e num mar de gritinhos e abraços ficava tudo bem. Para mim , tal era apenas ridículo e eu lá pensava: "Se a ofensa era tão grave que dava para deixar de falar, como é que já está tudo bem?...Se não era grave para quê tal encenação?"...
Hoje creio que são uma espécie de códigos de poder. Para a que amua ou faz birra é uma questão de poder, a cedência da outra. Tanto não consegui observar, mas suponho hoje que é uma forma de perpetuar um poder que já têm por força do estatuto dos pais e manter a hierarquia entre as que querem ser suas amigas...
domingo, 13 de Maio de 2007
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