Foi sem surpresa que, não há muito tempo, tive conhecimento de um trabalho científico, de uma senhora, que chegara à conclusão de que as mulheres dominavam melhor a inteligência emocional.
De facto, só poderia ser assim. A esta conclusão já havia eu chegado, sobretudo desde que tinha lido que a zona do inconsciente (que não é percepção nem racionalidade) armazena e processa informações, apenas sob a forma de emoção. Isto significa que, por exemplo, numa situação de acidente, essa zona não regista a informação objectiva dos acontecimentos (hora, local...) mas o que foi sentido pelo observador (medo, pânico, stress...).Ora o que acontece é que essa informação depois de registada escapa ao controlo do seu detentor e emerge sob a forma de emoção mesmo em situações diferentes. O que eu também acho é que as mulheres, porque submetidas, desde tempos primitivos, ao macho, não tiveram que usar estratégias racionais (ex. ir à caça) e defendiam as suas crias por expressões induzidas pelo instinto e pela intuição. As mulheres, como não tinham que aprender estratégias conscientes, ficaram com o domínio da linguagem não verbal muito desenvolvido, habituando-se a reagir às expressões visuais (não verbais) dos outros indivíduos.
Isto deve ter-se mantido na espécie humana até ao momento em que se generalizou a escolaridade obrigatória também às raparigas. Assim sendo, é muito recente (datando do século XX) a aprendizagem verbal das mulheres e o desenvolvimento da sua capacidade de racionalização. Se pensarmos que em alguns países a mulher tem muito poucos anos de escolaridade e se mantém em casa , sem leitura, aí teremos a resposta para que a mulher domine tão bem a linguagem não verbal (afinal a das emoções e tão mal a linguagem verbal, a dos raciocínios lógicos, indução, dedução, etc).
Não será por acaso que há muito poucas mulheres filósofas, afinal a ciência do pensamento e do raciocínio. Mesmo nos países mais desenvolvidos a mulher domina as linguagens antigas (os registos emocionais) e o homem está já mais longe desse registo.
No fundo, acaba por não ser uma diferença do homem mas um estádio de desenvolvimento diferente.
A atestar o que digo, veja-se o exemplo.
Uma mulher diz com frequência a outra "Tens um vestido lindíssimo" quando ele é universalmente feio, mesmo para um cego. O que lhe interessa não é a comunicação verbal que saberá até não ser sincera mas a emoção que provoca na outra conseguindo que ela adopte uma atitude cooperativa e baixe as defesas de eventual desconfiança e não a apoie. O objectivo será cativar a outra mesmo com uma mentira. Uma pessoa que esteja no domínio verbal, capta a mensagem verbal e ficará indignada com a hipocrisia manipulativa.
O que é estranho é que eu creio que as mulheres também captam a contradição desta afirmação com a linguagem não verbal (expressão pouco sincera ou tom de voz pouco firme), mas parecem aceitar esta mentira como se houvesse um acordo tácito em que todas fazem o mesmo.
Duas mulheres que não captem o mesmo registo não podem ser amigas. Irão desconfiaruma da outra.
Mas eu creio que o mesmo se passa com os homens quando dizem ao colega algo negativo, em tom de piada. A mensagem verbal é a verdadeira. O tom de piada serve para que riam. Ora, o riso reduz a agressividade com que o outro poderia responder. A emoção é usada, neste caso, para reduzir uma resposta agressiva do outro e manter a hegemonia do galhofeiro sobre ele. A piada tem sempre algo de abuso, pois o seu conteúdo vai incidir sobre um aspecto negativo do colega, de modo a diminuí-lo, torná-lo inseguro ou conquistar o seu apoio. Um assertivo, que tenha um amigo galhofeiro vai, certamente, sofrer muito com ele, pois absorve todo o significado da mensagem verbal.
Também os políticos, desde a Grécia Antiga e dos sofistas, sabem que, nos discursos, mais importante (para o povo não escolarizado) que a verdade factual do que é dito ou a qualidade dos raciocínios, é a forma como é dito (empolgamento, exaltação, alteração de tom e de inflexões da voz, gestos e expressões da linguagem não verbal). O povo nunca ouve o que um político diz.
O mesmo se passa com as mulheres. Se fizermos a experiência de começar um raciocínio, com alguma, sobretudo menos escolarizada, verificamos de imediato o seu desinteresse: desvia, os olhos, distrai-se, dá sinais de enfado. As mulheres precisam de olhar gesticular, tocar com as mãos, acariciar, rir ou chorar, mesmo sem motivo, como sabemos.
Se estivermos com um problema enorme e o comunicarmos racionalmente a uma mulher, ela não terá por nós o menor sentimento de pena, comiseração ou solidariedade. Para o conseguir precisamos criar nela uma emoção que traduza a dimensão do problema. Perante isso, ela só quererá reproduzir a nossa emoção e o mais natural é não nos apontar nenhum caminho ou solução para resolvermos o problema.
Deve ser por isso que temos mulheres tão pouco independentes e que precisam que os homens lhes resolvam os problemas.
Voltando às mulheres, acresce a questão da maternidade. As mulheres estarão preparadas para compreenderem as expressões das necessidades do seu bebé, que durante uns dois anos (ou mais) não irá pedir através da verbalização a satisfação das mesmas. Talvez seja uma experiência a fazer, saber se as mulheres que foram mães são mais inteligentes do ponto de vista emocional que as outras, o que me parece provável.
quinta-feira, 26 de Julho de 2007
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