Após reflexão, julgo poder concluir que o grau de auto-consciência das mulheres pode ser limitado, em função de um processo recorrente de auto-desculpabilização a que eu chamaria de auto-ingenuização ou auto-inocentização.(Não digo que seja exclusivo das mulheres).
Assim, após a usurpação de um direito ou ter cometido um abuso, sobre o outro, é accionado esse mecanismo que se traduz por uma fórmula de não intencionalidade (vulgo "sem querer" ou "era a brincar"). Esse registo de auto-desculpabilização, depois de enraizado, permite accionar uma desculpa perante o outro a qual, envolvida em forte carga emocional, aparece com uma sinceridade inquestionável.O estádio emocional do ofendido impede uma análise racional da situação e assim se resolve a contenda, com benefício para o abusador, já que o abusado terá sofrido uma ofensa ou perdido uma oportunidade.
Contudo, se o abusado mantivesse a clareza do raciocínio verificaria que, regra geral, o abusador detem todas as informações necessárias ao não cometimento do acto eticamente reprovável.Então porque razão o faz? Apenas porque não responde eticamente perante princípios universais e somente perante o que receia. Um observador atento notará que estes actos são cometidos apenas sobre indivíduos tímidos, inseguros ou sofrendo de uma qualquer vulnerabilidade que lhes reduz a capacidade de luta e uma rápida resposta assertiva.
terça-feira, 2 de Junho de 2009
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